Como escolher um app de matemática para o seu filho

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Resposta curta: vale escolher um app de matemática como se escolhe um livro: ele ensina de verdade o que promete? A sessão termina com calma? O resto é embalagem. Abaixo há uma lista simples, que se aplica a qualquer app em poucos minutos, os sinais de alerta que justificam descartá-lo e o que a Sociedade Brasileira de Pediatria diz sobre telas. Um aviso logo de cara: nós fazemos um app de matemática, então pedimos que você leia a lista primeiro e nos julgue por ela.
Somos um estúdio minúsculo que programou do zero o reconhecedor de escrita à mão do próprio app, e, no caminho, instalamos e desinstalamos muitos apps infantis; boa parte do que segue vem de sentar ao lado de crianças de verdade, não de texto de marketing. Nada disto precisa do nosso app para ser útil, seja para o seu filho, seja para a sua filha.
O que importa de verdade num app de matemática infantil?
A maioria dos bons sinais dá para conferir nos primeiros minutos, muitas vezes antes de entregar o aparelho à criança. Basta abrir o app, explorar um pouco e procurar isto:
- Ensina, não só distrai. Depois de uma rodada, a criança conseguiria fazer o mesmo no papel? Um bom app constrói uma habilidade real (contar, a forma dos algarismos, agrupar) em vez de premiar toques com barulho e confete. Distrair não é crime, mas vale chamar pelo nome.
- É calmo e tem fim. Uma sessão deveria terminar de forma clara. “Você terminou, muito bem, até amanhã” é mais saudável do que uma sequência infinita de fases que nunca dá à criança um momento natural para parar.
- Sem anúncios. Ponto. Um app infantil com anúncios ensina à criança coisas que você não escolheu e não vê. É o filtro mais rápido de todos.
- Sem empurrar compras. Se houver uma compra, ela deveria ficar quietinha atrás de uma trava para os pais, e não aparecer no meio do jogo para interromper uma criança de cinco anos.
- Respeita a privacidade. Na página do app, a App Store mostra os rótulos de privacidade e o Google Play, a seção de segurança dos dados. Para uma criança pequena, a melhor resposta é “nenhum dado coletado” ou algo bem perto disso. A LGPD (Lei 13.709/2018) exige consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável legal para tratar dados de crianças, e proíbe condicionar a participação delas em jogos e aplicativos ao fornecimento de mais dados do que o estritamente necessário. Um app de contar que pede contatos ou localização já está reprovado.
- Dificuldade adequada à idade. Deveria encontrar a criança perto de onde ela está e subir o nível com suavidade. Difícil demais fabrica um “sou burro em matemática”; fácil demais é só tocar na tela.
- Funciona sem internet. Prático na viagem ou no carro, e um sinal discreto de que o app não foi feito para ficar informando um servidor sobre a sua criança o tempo todo.
- Tem uma pessoa de verdade por trás. Uma ideia: mande uma pergunta antes de pagar. Se uma pessoa responde, bom sinal; silêncio, ou um robô de suporte evidente, sinal não tão bom.


Sinais de alerta para descartar um app
Alguns padrões vêm dos jogos para adultos e das apostas, e não têm lugar num app feito para uma criança de seis anos. Qualquer um destes é motivo para fechar o app e procurar outro.
- Anúncios dentro de um app infantil, principalmente anúncios em vídeo ou difíceis de fechar.
- Relógios de urgência falsos, do tipo “a oferta acaba em 4:59”. Aprender de verdade não corre contra o relógio, e pânico fabricado dirigido a uma criança é o que se chama de “padrão obscuro”.
- Caixas de recompensa, roletas ou mecânicas do tipo gacha, em que uma compra dá um prêmio sorteado. É lógica de aposta disfarçada de brincadeira. No Brasil, o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, proíbe caixas de recompensa em jogos eletrônicos voltados a crianças e adolescentes ou de provável acesso por eles.
- Insistir para você avaliar o app, sobretudo com janelas no meio de uma atividade, que uma criança pequena vai tocar sem entender.
- Coletar muitos dados: pedir contatos, localização exata ou identificadores de publicidade de que um jogo de contar não precisa para nada.
- Ninguém visível por trás. Se você não consegue descobrir quem fez o app nem falar com uma pessoa, essa ausência já diz alguma coisa.
Apps de matemática fazem bem para as crianças?
Podem fazer, em doses pequenas e como uma parte de uma dieta mais variada. Um app é bom em repetição paciente e em dar um retorno imediato e sem julgamento, algo realmente útil para reconhecer números e para os primeiros fatos básicos. Ele não substitui contar degraus de verdade, pôr a mesa, dividir uvas e conversar sobre números em voz alta. Um app é uma ferramenta na estante, não a estante inteira. Se você quer ideias sem tela, nossas brincadeiras com números em casa têm várias.

Quanto tempo de tela é razoável?
No Brasil, a referência é a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O manual #MenosTelas #MaisSaúde, na atualização de 2024, mantém limites por idade e pede supervisão de um adulto em todas as faixas da infância. Em 2025, a SBP lançou ainda o documento Primeira Infância Sem Telas: Mais Saúde, que reforça a cautela nos primeiros anos de vida. Falamos mais disso em tempo de tela educativo conta?.
| Idade | SBP (#MenosTelas #MaisSaúde, 2024) | Na prática, para um app de matemática |
|---|---|---|
| Menos de 2 anos | Nenhuma tela, nem passivamente | Nenhum app: contar com coisas de verdade |
| 2 a 5 anos | No máximo 1 hora por dia, sempre com supervisão | Sessões curtas, com um adulto junto, dentro dessa hora |
| 6 a 10 anos | No máximo 1 a 2 horas por dia, sempre com supervisão | O app conta no tempo total de tela, não fica à parte |
| Todas as idades | Sem telas nas refeições; desligar 1 a 2 horas antes de dormir | O app não é o ritual da hora de dormir |
Sejamos honestos sobre o que isso significa para nós: o nosso app foi pensado para crianças de uns 4 a 10 anos, e a SBP pede, até os 5, no máximo uma hora de tela por dia e sempre com um adulto junto. Se você decidir ser ainda mais cauteloso antes dos 6, tudo o que o nosso app trabalha (contar, agrupar, escrever números) pode ser trabalhado sem tela, e os nossos guias e atividades para imprimir foram feitos justamente para isso. Para os maiores, uma sessão curta que termina limpa funciona melhor do que uma longa, e um app calmo e com fim facilita muito manter isso.
Então, qual escolher?
O mais prático é passar qualquer candidato pela lista acima e confiar no que você vê, não na descrição da loja. Se dois apps passarem, fique com o que a criança gosta, porque um app que ela realmente vai abrir ganha de um “melhor” que ela evita. E você tem o direito de mudar de ideia: desinstale assim que um app começar a insistir, a mostrar anúncios ou a deixar a criança agitada no fim.
Este é o nosso viés, dito com clareza. Nós fazemos o 99 Math Animals (o app está em inglês, não em português), então não somos neutros. Construímos o app para passar exatamente nesta lista: sem anúncios, sem rastreadores de terceiros, com as compras atrás de uma trava para os pais e com uma pessoa de verdade (um de nós) respondendo os e-mails. Você pode ver como ele funciona na página do app e ler a nossa posição completa, incluindo o que não fazemos, em quem somos. Preferimos que você use a lista para escolher bem, mesmo que isso signifique escolher outro.
Perguntas dos pais
O que observar num app educativo para crianças?
Que ele ensine uma habilidade real e não só premie toques, que termine de forma clara em vez de continuar para sempre, que não tenha anúncios, que não pressione a criança a gastar, que colete poucos dados ou nenhum e que seja feito por alguém a quem você possa escrever. Se passar em tudo isso, o tema e os personagens dependem do gosto da criança.
Apps de matemática fazem bem para as crianças?
Podem ajudar, em doses pequenas e como parte de uma mistura maior. São bons em repetição paciente e em dar retorno imediato no reconhecimento de números e nos primeiros fatos básicos. Não substituem contar coisas de verdade, cozinhar junto e conversar sobre números em voz alta.
Quanto tempo uma criança pode usar um app de matemática?
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda nenhuma tela antes dos 2 anos, no máximo 1 hora por dia dos 2 aos 5 e de 1 a 2 horas por dia dos 6 aos 10, sempre com supervisão, sem telas nas refeições e desligando 1 a 2 horas antes de dormir. O app de matemática entra nesse total. Dentro desses limites, uma sessão curta e com fim claro funciona melhor do que uma longa.
O que a lei brasileira diz sobre apps para crianças?
A LGPD exige consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável legal para tratar dados pessoais de crianças e proíbe pedir mais dados do que o necessário para a criança participar de jogos e aplicativos. E o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, proíbe caixas de recompensa em jogos voltados a crianças e adolescentes.



