Como escolher um app de matemática para o seu filho

Ilustração: um adulto e uma criança, sentados bem juntos em casa, olham com calma para um tablet.
Neste texto
  1. O que importa de verdade num app de matemática infantil?
  2. Sinais de alerta para descartar um app
  3. Apps de matemática fazem bem para as crianças?
  4. Quanto tempo de tela é razoável?
  5. Então, qual escolher?

Resposta curta: vale escolher um app de matemática como se escolhe um livro: ele ensina de verdade o que promete? A sessão termina com calma? O resto é embalagem. Abaixo há uma lista simples, que se aplica a qualquer app em poucos minutos, os sinais de alerta que justificam descartá-lo e o que a Sociedade Brasileira de Pediatria diz sobre telas. Um aviso logo de cara: nós fazemos um app de matemática, então pedimos que você leia a lista primeiro e nos julgue por ela.

Somos um estúdio minúsculo que programou do zero o reconhecedor de escrita à mão do próprio app, e, no caminho, instalamos e desinstalamos muitos apps infantis; boa parte do que segue vem de sentar ao lado de crianças de verdade, não de texto de marketing. Nada disto precisa do nosso app para ser útil, seja para o seu filho, seja para a sua filha.

O que importa de verdade num app de matemática infantil?

A maioria dos bons sinais dá para conferir nos primeiros minutos, muitas vezes antes de entregar o aparelho à criança. Basta abrir o app, explorar um pouco e procurar isto:

  • Ensina, não só distrai. Depois de uma rodada, a criança conseguiria fazer o mesmo no papel? Um bom app constrói uma habilidade real (contar, a forma dos algarismos, agrupar) em vez de premiar toques com barulho e confete. Distrair não é crime, mas vale chamar pelo nome.
  • É calmo e tem fim. Uma sessão deveria terminar de forma clara. “Você terminou, muito bem, até amanhã” é mais saudável do que uma sequência infinita de fases que nunca dá à criança um momento natural para parar.
  • Sem anúncios. Ponto. Um app infantil com anúncios ensina à criança coisas que você não escolheu e não vê. É o filtro mais rápido de todos.
  • Sem empurrar compras. Se houver uma compra, ela deveria ficar quietinha atrás de uma trava para os pais, e não aparecer no meio do jogo para interromper uma criança de cinco anos.
  • Respeita a privacidade. Na página do app, a App Store mostra os rótulos de privacidade e o Google Play, a seção de segurança dos dados. Para uma criança pequena, a melhor resposta é “nenhum dado coletado” ou algo bem perto disso. A LGPD (Lei 13.709/2018) exige consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável legal para tratar dados de crianças, e proíbe condicionar a participação delas em jogos e aplicativos ao fornecimento de mais dados do que o estritamente necessário. Um app de contar que pede contatos ou localização já está reprovado.
  • Dificuldade adequada à idade. Deveria encontrar a criança perto de onde ela está e subir o nível com suavidade. Difícil demais fabrica um “sou burro em matemática”; fácil demais é só tocar na tela.
  • Funciona sem internet. Prático na viagem ou no carro, e um sinal discreto de que o app não foi feito para ficar informando um servidor sobre a sua criança o tempo todo.
  • Tem uma pessoa de verdade por trás. Uma ideia: mande uma pergunta antes de pagar. Se uma pessoa responde, bom sinal; silêncio, ou um robô de suporte evidente, sinal não tão bom.
Mão de criança escreve um número a lápis numa folha de papel; ao lado, um tablet em repouso.
O teste que importa: quando o app fecha, a criança consegue fazer o mesmo só com um lápis?
A mão de um adulto e a mão de uma criança deixam juntas um tablet virado para baixo sobre a mesa, ao terminar.
“Você terminou, muito bem, até amanhã.” Uma sessão com fim claro, não uma sequência sem fim.

Sinais de alerta para descartar um app

Alguns padrões vêm dos jogos para adultos e das apostas, e não têm lugar num app feito para uma criança de seis anos. Qualquer um destes é motivo para fechar o app e procurar outro.

  • Anúncios dentro de um app infantil, principalmente anúncios em vídeo ou difíceis de fechar.
  • Relógios de urgência falsos, do tipo “a oferta acaba em 4:59”. Aprender de verdade não corre contra o relógio, e pânico fabricado dirigido a uma criança é o que se chama de “padrão obscuro”.
  • Caixas de recompensa, roletas ou mecânicas do tipo gacha, em que uma compra dá um prêmio sorteado. É lógica de aposta disfarçada de brincadeira. No Brasil, o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, proíbe caixas de recompensa em jogos eletrônicos voltados a crianças e adolescentes ou de provável acesso por eles.
  • Insistir para você avaliar o app, sobretudo com janelas no meio de uma atividade, que uma criança pequena vai tocar sem entender.
  • Coletar muitos dados: pedir contatos, localização exata ou identificadores de publicidade de que um jogo de contar não precisa para nada.
  • Ninguém visível por trás. Se você não consegue descobrir quem fez o app nem falar com uma pessoa, essa ausência já diz alguma coisa.

Apps de matemática fazem bem para as crianças?

Podem fazer, em doses pequenas e como uma parte de uma dieta mais variada. Um app é bom em repetição paciente e em dar um retorno imediato e sem julgamento, algo realmente útil para reconhecer números e para os primeiros fatos básicos. Ele não substitui contar degraus de verdade, pôr a mesa, dividir uvas e conversar sobre números em voz alta. Um app é uma ferramenta na estante, não a estante inteira. Se você quer ideias sem tela, nossas brincadeiras com números em casa têm várias.

A mão de um adulto e a mão de uma criança descansam juntas perto de um tablet.
Qualidade e companhia antes de minutos contados: jogar junto, não só entregar o tablet.

Quanto tempo de tela é razoável?

No Brasil, a referência é a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). O manual #MenosTelas #MaisSaúde, na atualização de 2024, mantém limites por idade e pede supervisão de um adulto em todas as faixas da infância. Em 2025, a SBP lançou ainda o documento Primeira Infância Sem Telas: Mais Saúde, que reforça a cautela nos primeiros anos de vida. Falamos mais disso em tempo de tela educativo conta?.

IdadeSBP (#MenosTelas #MaisSaúde, 2024)Na prática, para um app de matemática
Menos de 2 anosNenhuma tela, nem passivamenteNenhum app: contar com coisas de verdade
2 a 5 anosNo máximo 1 hora por dia, sempre com supervisãoSessões curtas, com um adulto junto, dentro dessa hora
6 a 10 anosNo máximo 1 a 2 horas por dia, sempre com supervisãoO app conta no tempo total de tela, não fica à parte
Todas as idadesSem telas nas refeições; desligar 1 a 2 horas antes de dormirO app não é o ritual da hora de dormir

Sejamos honestos sobre o que isso significa para nós: o nosso app foi pensado para crianças de uns 4 a 10 anos, e a SBP pede, até os 5, no máximo uma hora de tela por dia e sempre com um adulto junto. Se você decidir ser ainda mais cauteloso antes dos 6, tudo o que o nosso app trabalha (contar, agrupar, escrever números) pode ser trabalhado sem tela, e os nossos guias e atividades para imprimir foram feitos justamente para isso. Para os maiores, uma sessão curta que termina limpa funciona melhor do que uma longa, e um app calmo e com fim facilita muito manter isso.

Então, qual escolher?

O mais prático é passar qualquer candidato pela lista acima e confiar no que você vê, não na descrição da loja. Se dois apps passarem, fique com o que a criança gosta, porque um app que ela realmente vai abrir ganha de um “melhor” que ela evita. E você tem o direito de mudar de ideia: desinstale assim que um app começar a insistir, a mostrar anúncios ou a deixar a criança agitada no fim.

Este é o nosso viés, dito com clareza. Nós fazemos o 99 Math Animals (o app está em inglês, não em português), então não somos neutros. Construímos o app para passar exatamente nesta lista: sem anúncios, sem rastreadores de terceiros, com as compras atrás de uma trava para os pais e com uma pessoa de verdade (um de nós) respondendo os e-mails. Você pode ver como ele funciona na página do app e ler a nossa posição completa, incluindo o que não fazemos, em quem somos. Preferimos que você use a lista para escolher bem, mesmo que isso signifique escolher outro.

Perguntas dos pais

O que observar num app educativo para crianças?

Que ele ensine uma habilidade real e não só premie toques, que termine de forma clara em vez de continuar para sempre, que não tenha anúncios, que não pressione a criança a gastar, que colete poucos dados ou nenhum e que seja feito por alguém a quem você possa escrever. Se passar em tudo isso, o tema e os personagens dependem do gosto da criança.

Apps de matemática fazem bem para as crianças?

Podem ajudar, em doses pequenas e como parte de uma mistura maior. São bons em repetição paciente e em dar retorno imediato no reconhecimento de números e nos primeiros fatos básicos. Não substituem contar coisas de verdade, cozinhar junto e conversar sobre números em voz alta.

Quanto tempo uma criança pode usar um app de matemática?

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda nenhuma tela antes dos 2 anos, no máximo 1 hora por dia dos 2 aos 5 e de 1 a 2 horas por dia dos 6 aos 10, sempre com supervisão, sem telas nas refeições e desligando 1 a 2 horas antes de dormir. O app de matemática entra nesse total. Dentro desses limites, uma sessão curta e com fim claro funciona melhor do que uma longa.

O que a lei brasileira diz sobre apps para crianças?

A LGPD exige consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou do responsável legal para tratar dados pessoais de crianças e proíbe pedir mais dados do que o necessário para a criança participar de jogos e aplicativos. E o ECA Digital (Lei 15.211/2025), em vigor desde março de 2026, proíbe caixas de recompensa em jogos voltados a crianças e adolescentes.

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