Como ajudar na tarefa de matemática sem briga

Mão de criança escreve numa folha de exercícios na mesa da cozinha enquanto, ao lado, um adulto apoia as duas mãos paradas sobre a mesa.
Neste texto
  1. Por que ajudar na lição de matemática pode dar errado?
  2. Como saber se estou passando a minha ansiedade?
  3. O que fazer em vez de corrigir?
  4. Quanto tempo a lição de matemática deveria durar?
  5. E se mesmo assim terminar em choro?
  6. Onde o nosso app entra, com honestidade

Se a lição de casa de matemática (a tarefa, o dever ou o para-casa, conforme a região) termina em choro quase sempre, a mudança mais útil costuma ser ajudar menos vezes e de outro jeito, e não se esforçar mais.

Resposta curta: um estudo com 438 crianças do 1º e do 2º ano encontrou que os filhos de pais com ansiedade matemática aprendiam bem menos matemática ao longo do ano, mas só quando esses pais ajudavam na lição com frequência. Quando ajudavam pouco, o efeito desaparecia. O seu trabalho à mesa é manter a tarde curta e calma, não deixar todas as respostas certas.

Por que ajudar na lição de matemática pode dar errado?

Pesquisadores da Universidade de Chicago acompanharam durante um ano letivo inteiro 438 crianças do 1º e do 2º ano e os seus pais (Maloney e colegas, Psychological Science, 2015). As crianças cujos pais diziam ter muita ansiedade com matemática aprenderam, ao longo do ano, bem menos matemática do que os colegas, e terminaram o ano mais ansiosas com a matéria elas mesmas.

Agora vem a parte que importa, e é a boa notícia: essa diferença só apareceu quando os pais ansiosos diziam ajudar na lição de matemática com frequência. Quando ajudavam pouco, a ansiedade deles não tinha relação mensurável com o desempenho dos filhos. A ansiedade não chegava à criança pelo ar. Chegava pela folha da lição.

Vale parar um segundo aqui, porque isso muda por completo o seu papel. O problema não é você ser ruim em matemática. O problema é um tipo específico de ajuda (frequente, corretiva e tensa) vinda de alguém em quem a criança confia totalmente.

Como saber se estou passando a minha ansiedade?

Quase ninguém faz isso de propósito, e raramente parece raiva. Costuma soar como comentários pequenos, ditos de passagem:

  • “Eu também nunca fui bom em matemática.” Dito com carinho, pensado como consolo, ouvido como permissão para desistir.
  • “Não é assim que se faz, deixa eu te mostrar o jeito certo”, quando o método da criança era mais lento, mas perfeitamente correto.
  • Pegar o lápis. Nem que seja uma vez. Muda de quem é a folha.
  • Suspirar, olhar o relógio, perguntar “quantas faltam?” a cada poucos minutos.
  • O alívio visível quando acaba. As crianças leem isso com precisão: então era mesmo tão horrível quanto eu achava.

Nada disso é defeito de caráter. É o que a tensão faz com uma pessoa que quer que a noite termine. Perceber já é a maior parte da solução.

O que fazer em vez de corrigir?

Quatro mudanças, na ordem em que vale testá-las.

  • Não pegue o lápis. Se você escreve nem que seja um algarismo, a folha deixa de ser do seu filho ou da sua filha. Melhor apontar a linha e esperar.
  • Pergunte “como você chegou nisso?” antes de dizer que algo está errado. Às vezes a resposta está certa por um caminho que você não esperava. Quando está errada de verdade, a criança muitas vezes encontra o erro sozinha no meio da explicação, e isso ensina muito mais do que ouvir de um adulto.
  • Decida quando termina antes de começar. “Vamos até o timer tocar” é uma promessa que você consegue cumprir. “Vamos até terminar” deixa a folha decidir quanto dura a noite.
  • Separe praticar de corrigir. Praticar é o trabalho da criança, e pode ser bagunçado. Corrigir é o trabalho da professora. Tentar fazer as duas coisas na mesma mesa, ao mesmo tempo, é o que transforma dez minutos numa hora.
Uma folha de exercícios na mesa da cozinha, resolvida sem ajuda por mãos de criança, enquanto um adulto está de costas, junto ao balcão da cozinha.
No mesmo cômodo, não na cadeira ao lado. Perto o bastante para ajudar se ela pedir, longe o bastante para a folha continuar sendo dela.

Quanto tempo a lição de matemática deveria durar?

No Brasil não há um limite nacional para a lição de casa nos anos iniciais: a BNCC não trata disso, e cada escola (muitas vezes cada professora) decide. A referência mais citada vem dos Estados Unidos: a regra dos 10 minutos, cerca de dez minutos de lição por dia para cada ano escolar, somando todas as matérias, e não por matéria. Ela sai das pesquisas de Harris Cooper, da Universidade Duke, e é apoiada desde os anos 1990 pelas grandes associações americanas de professores e de pais. Não é lei em lugar nenhum por aqui, mas serve bem como régua para conversar com a escola.

AnoReferência por dia, toda a liçãoSe costuma passar disso
Educação InfantilSem lição fixa; ler juntosPerguntar à professora o que a atividade quer treinar
1º anoUns 10 minutos, todas as matériasParar no limite e anotar na agenda
2º anoUns 20 minutos, todas as matériasDuas noites difíceis seguidas valem um bilhete para a professora
3º anoUns 30 minutos, todas as matériasPerguntar se uma lista menor cumpriria o objetivo

O número exato não é o mais importante. O importante é o fim. Uma criança que sabe quando a lição começa e quando termina se senta mais rápido e discute menos, porque não há nada para negociar.

Uma pequena ampulheta de madeira sobre a mesa da cozinha, ao lado de uma folha de exercícios e de um lápis.
A ampulheta não está ali para correr, e sim para saber quando acaba. Ela tira a decisão das mãos dos dois: ninguém precisa ser quem cede.

E se mesmo assim terminar em choro?

Pare. Não como castigo nem como prêmio: só pare. Uma criança de sete anos chorando não está aprendendo aritmética, e uma folha terminada entre lágrimas ensina sobre a matemática algo que vai durar anos a mais do que a folha.

Depois, um bilhete sincero na agenda para a professora: “Paramos depois de 15 minutos; hoje estava difícil demais”. É informação útil, não confissão. Nesta idade, a lição é, em boa parte, um jeito de a professora saber onde a turma realmente está.

Se quase todas as noites terminam assim por mais do que algumas semanas, vale falar sobre isso, primeiro com a professora ou o professor; muitas escolas também têm coordenação pedagógica ou orientação educacional para ajudar nessa conversa. Angústia persistente com os números é diferente de uma semana difícil, e há caminhos para isso. Escrevemos sobre como distinguir uma coisa da outra em dificuldade em matemática ou discalculia, e sobre o lado da criança no mesmo problema em ansiedade matemática na infância.

Onde o nosso app entra, com honestidade

Há um segundo estudo que vale conhecer, do mesmo grupo da Universidade de Chicago, publicado na Science no mesmo ano. As famílias receberam uma atividade curta de matemática para fazer juntas toda noite, num tablet: alguns minutos, uma historinha com uma pergunta de números dentro. O desempenho das crianças em matemática melhorou ao longo do ano, e a melhora foi maior entre as crianças cujos pais tinham mais ansiedade com matemática.

O interessante não é o tablet. É que o formato fazia, sem chamar atenção, três coisas que um pai ou uma mãe preocupados têm dificuldade de fazer sozinhos: mantinha a matemática curta, dava à sessão um fim óbvio e tirava o adulto do papel de examinador. Esse é o argumento honesto a favor de um app como o nosso nesta idade. Não que ele ensine melhor do que você, porque não ensina, mas que ele deixa você sentar ao lado da criança durante a matemática sem ser quem dá a nota.

Ele não vai fechar sozinho uma defasagem real, e não substitui a professora. Se você está avaliando opções, escrevemos sobre o que importa de verdade em como escolher um app de matemática infantil, e sobre como retomar o ritmo no começo do ano, sem drama, em volta às aulas: rotina de matemática.

Na mesa da cozinha, uma criança explica alguma coisa gesticulando enquanto um adulto escuta com uma caneca nas mãos.
A melhor pergunta à mesa continua sendo “como você resolveu?”, seguida de alguns segundos de silêncio.

Perguntas dos pais

Devo parar de ajudar na lição de matemática?

Não. A pesquisa aponta para ajudar menos vezes e de outro jeito, não para sumir. No estudo, as crianças cujos pais ajudavam pouco não mostravam relação entre a ansiedade dos pais e o aprendizado, mas isso não é o mesmo que ficar sem apoio. O que funciona é ficar no mesmo cômodo, manter a sessão curta e deixar o lápis com a criança.

Meu filho resolve a conta de um jeito diferente do meu: devo corrigir o método?

Normalmente não, pelo menos não na hora. Primeiro, pergunte como ele chegou lá. Um método mais lento que funciona é um método de verdade, e muitas escolas hoje ensinam a decompor os números ou a usar o material dourado antes da conta armada com “vai um”. Se a escola ensina um jeito específico, vale perguntar à professora, como dúvida, e não corrigir à mesa.

Quanto tempo de lição de casa é normal no 1º ano?

No Brasil não há um limite nacional; cada escola decide. A referência mais usada é a regra americana dos 10 minutos: uns 10 minutos por dia no 1º ano, 20 no 2º e 30 no 3º, somando todas as matérias. Se a sua criança precisa com frequência de muito mais do que isso, é uma informação que a professora quer ter, e não algo a aguentar calado.

Eu tenho ansiedade com matemática: vou passar isso para o meu filho?

Não necessariamente. Na mesma pesquisa, a relação só aparecia quando os pais ansiosos ajudavam com frequência, e outro estudo do mesmo grupo encontrou que uma atividade de matemática curta e estruturada toda noite ajudava justamente mais essas crianças. O que você diz sobre matemática na frente da criança importa mais do que o quanto você é bom nela.

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